A Mazda já conta no seu portefólio com diversas “Epic Drives”, um conceito que tem evoluído com os tempos, com as mais recentes a terem decorrido na Islândia, Noruega, Sibéria e Cazaquistão, sem esquecer uma que em 2017 percorreu a Ilha de São Miguel, nos Açores.
A mais recente realizou-se na Turquia, antes do devastador terramoto que em Fevereiro último devastou uma vasta área do sul e centro da Turquia, bem como do norte e oeste da Síria, seguido de várias réplicas. A aventura aconteceu em finais de Setembro de 2022, tendo a marca de Hiroshima levado vários exemplares do Mazda CX-5 e o novíssimo Mazda CX-60.
À semelhança dos anteriores, esta “Mazda Epic Drive – Turquia 2022” revelou-se uma experiência inesquecível, em que a beleza natural e as estradas deslumbrantes deste país que vive agora momentos dificeis e de reconstrução.

O percurso do primeiro dia de Trabzon até à paragem nocturna em Elâzığ começou por percorrer a estrada D915, através de plantações de chá, subindo depois até aos Montes Pônticos, no que foi o primeiro grande desafio para máquinas e condutores. Foram cerca de 106 quilómetros ao volante, por estradas de extrema dureza, com 29 íngremes curvas, sem qualquer sinalização ou rails de protecção, muitas acompanhadas por um repetitivo murmúrio de “não olhes para baixo” soprado pelas suas escarpas vertiginosas.
A zona mais perigosa dos percursos de terra ali percorridos são as Curvas de Derebaşı, um trajecto de pouco mais de cinco quilómetros de tortuosas estradas de faixa única, repletos de rochas e de pedra solta, numa ascensão pela lateral do Monte Soğanlı que inclui 13 muito apertadas curvas em “U”. Essa subida com mais de 300 metros em altura não dá lugar a erros, em especial quando algumas dessas suas curvas são tão apertadas que não podem ser descritas numa única manobra.


Uma vez no topo, uma rápida paragem permite admirar as vistas deslumbrantes da montanha, num ponto alto de um dia em que a condução continuou depois rumo a Bayburt, então por bem mais agradáveis estradas pavimentadas, até se chegar ao hotel, em Elâzığ.
Explorando a Stone Road
No início do segundo dia, Elâzığ foi deixada para trás, com a caravana a seguir para noroeste, num cenário montanhoso de múltiplos quilómetros do interior da Turquia.
Com a aproximação de Kemaliye, a paisagem foi-se estreitando, à medida que a estrada descia para correr paralelamente ao Rio Eufrates, que flui livre através do Karanlık Kanyon.
Mas foi o percurso seguinte desta ímpar jornada que colocou à prova a viatura e o seu condutor, a Stone Road, com apenas 8,6 quilómetros de extensão, em pisos de terra e de via única, tendo, em algumas secções, uma largura inferior a dois metros, tantos quanta a altura de alguns dos seus 38 túneis escavados na rocha. Foi uma prova de tenacidade de uma estrada cuja construção arrancou em 1870 e que apenas se viu concluída mais de 130 anos mais tarde, em 2002! Pode não contar com as quedas vertiginosas das Curvas de Derebaşı, mas a Stone Road é desafiadora o suficiente para que tenhamos que manter as duas mãos firmemente no volante. Escarpas íngremes, por vezes verticais, estão voltadas para cima – e, ocasionalmente, sobre a própria viatura – enquanto as águas opacas do rio que corre mais abaixo são um constante lembrete do risco associado a um potencial erro. Uma vez ultrapassadas as suas dificuldades, restava pela frente a viagem para oeste, até o local de chegada em Ürgüp, na Capadócia.



