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Dacia Bigster: no início era o espaço…

Dacia Bigster Hybrid 155 consegue harmonizar conceitos de espaço (generoso), pragmatismo e consumos contidos,num C-SUV honesto e coerente.

No início era o espaço. Não como excesso, mas como fundamento. Italo Calvino escreveu que a “verdadeira riqueza está na relação entre as coisas”, e podemos partir dessa dessa lógica para explicar o Dacia Bigster. Mais do que apenas crescer em tamanho, face ao Duster, este SUV de porte altivo propõe uma nova forma de ocupar o espaço: com ordem, utilidade e sentido prático.

Arrisquemos afirmar, nesse sentido, que o Bigster não procura surpreender pela exuberância, mas antes pela clareza da proposta. Assume dimensões generosas, sem dúvida, uma presença firme e uma organização interior que privilegia o essencial, na procura do equilíbrio entre ambição e contenção. Num segmento onde tantas vezes o tamanho não vai muito além da aparência, o Bigster faz do espaço um verdadeiro argumento, colocando-o no centro de tudo o que é e de tudo o que promete ser.

Irmão mais… novo

O Bigster nasce assim como um passo decisivo da Dacia no segmento C-SUV. Partilha a plataforma do Duster, mas aumenta a sua presença na estrada. Como se fosse o seu irmão mais “velho”, apesar de mais novo. Com 4,57 m de comprimento (mais 23 cm que o Duster) e uma distância entre eixos de 2,70 m, as proporções são claras: aqui o interior foi pensado para ser vivido. Com 1,71 m de altura e uma largura estável, assume uma silhueta musculada, sem ostentação e oferece  uma estética que combina superfícies vincadas, foco funcional e um visual robusto que, no conjunto, resulta num SUV mais sofisticado do que seria de esperar se pensarmos no binómio preço-oferta.

O design exterior é sólido e coerente com a filosofia Dacia: formas e linhas diretas Não há extravagâncias gratuitas, mas sim uma identidade que se reconhece. As superfícies bem definidas, as proteções em plástico e a postura erguida transmitem robustez e utilidade.

Amplitude de vista

Entrar no Bigster é confirmar a promessa: espaço abundante, à frente e atrás, conforto para adultos (até de grande estatura) e uma bagageira de 546 litros, na versão Hybrid 155 ensaiada, mais do que suficiente para toda a bagagem de uma família em viagem. O piso amovível com tampas rígidas e o espaço extra sob o tablier reforçam uma conseguida sensação de utilidade prática difícil de replicar em muitos concorrentes da sua faixa.

Ainda sobre o interior, refira-se que recorre a materiais maioritariamente rígidos e mantém a coerência: não é luxuoso, assumamos, mas a montagem e a escolha dos componentes não comprometem em nada. A posição de condução elevada, a boa visibilidade e o painel de 10,1” disponível em equipamento superior contribuem para um ambiente funcional e confortável.

Conduzir em “casa”

O Bigster Hybrid 155 sabe o que quer ser: eficiente e fácil de conduzir. O sistema híbrido não precisa de ligações externas ou rotinas complexas — basta combustível e estrada —, e a resposta do conjunto é calma mas suficiente. Em uso misto, conseguiu médias muito comedidas, na ordem dos 5,4 l/100 km no ensaio. A caixa automática multimodo está mais afinada e ajuda a tornar a condução urbana mais suave, enquanto o motor de combustão respira melhor graças à maior cilindrada em comparação com versões menos potentes.

A dinâmica não surpreende nos caminhos entusiasmantes, longe disso. O Dacia Bigster privilegia conforto e segurança em percursos longos, com uma suspensão que filtra bem irregularidades e uma direção que transmite confiança. Mesmo com jantes maiores, o compromisso entre firmeza e suavidade mantém-se equilibrado. A posição B da caixa ajuda na gestão da energia e na desaceleração, reforçando o conforto em trânsito sinuoso.

Fotos: Direitos Reservados

Preço… “pequeno”

O Dacia Bigster Hybrid está disponível a partir de €29.150 na versão Expression. A versão ensaiada, Extreme Hybrid 155 está disponível por €32.500, mas a unidade em causa, devido aos extras, sobe para os €35.966.

Não se trata de um SUV que gera memórias espetaculares de condução? Talvez não. Mas cumpre com distinção aquilo para que foi desenhado: espaço amplo, utilidade bem pensada, consumos contidos e uma proposta de valor que dialoga diretamente com as necessidades reais de quem procura mais do que aparência. No início era o espaço, e, aqui, este fala por si.

Por: Jorge Flores/Check-Up Media

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