No Intenso, a cozinha é portuguesa, a música também. Entre petiscos, pratos de conforto e uma esplanada generosa, este restaurante lisboeta recupera receitas, tradições e pequenos hábitos que continuam a fazer parte da identidade gastronómica nacional.
Há cada vez mais cozinhas do mundo para descobrir em Lisboa. Do japonês ao peruano, do mexicano ao coreano, a oferta internacional cresce praticamente a cada esquina. No meio dessa diversidade, há quem tenha escolhido fazer precisamente o caminho inverso. O Intenso, no Cais do Sodré, decidiu olhar para dentro de portas e construir um restaurante onde praticamente tudo gira em torno de Portugal.
O conceito começa logo pela localização. Instalado na Rua da Boavista, uma das artérias mais movimentadas da zona ribeirinha lisboeta, o restaurante combina uma ampla esplanada com um espaço interior onde os elementos decorativos remetem para símbolos, expressões e tradições nacionais. Nas paredes surgem referências ao fado, às sardinhas, a objetos do quotidiano e a várias imagens da cultura popular portuguesa.
Mas há um detalhe que acaba por marcar a experiência desde os primeiros minutos: aqui só se ouve música portuguesa. A banda sonora pode passar pelo fado, pelo rock ou pela música popular, desde que seja cantada na língua de Camões.
A cozinha portuguesa sem interrupções
No Intenso não existem horários rígidos para quem chega com fome. A cozinha funciona durante todo o dia, permitindo almoçar, jantar ou simplesmente petiscar entre refeições.
A carta percorre diferentes regiões do país e recupera receitas bem conhecidas ao lado de outras menos mediáticas. Entre os pratos mais procurados estão o bitoque, cujo molho é preparado durante 62 horas, o pernil assado servido com arroz de forno, o frango piri-piri, o entrecôte com grelos e batata frita ou o Bacalhau à Assis, uma receita inspirada na Beira Baixa e que presta homenagem às origens do chefe Mateus Freire.
Os sabores do mar também ocupam um lugar importante na ementa, com propostas como arroz de marisco, arroz de polvo, atum à algarvia ou massada de carabineiro.



Petiscar continua a ser uma tradição
Se há hábito que resiste à passagem do tempo é o da petiscada. No Intenso, essa tradição continua bem presente.
Os pastéis de bacalhau são fritos apenas depois de serem pedidos, os peixinhos da horta dividem protagonismo com o pica-pau de lombo, a salada de polvo ou o lingueirão à Bulhão Pato com barriga de porco curada. Para quem prefere opções vegetarianas existe, por exemplo, um arroz de cogumelos inspirado na confeção tradicional do arroz de polvo.
Também o couvert foge ao habitual. O pão de trigo e a broa de milho são produzidos diariamente em duas fornadas — uma antes do almoço e outra antes do jantar — acompanhados por uma manteiga de alface-do-mar, preparada a partir desta alga atlântica.
Sobremesas inspiradas na tradição
A carta termina com cinco sobremesas onde predominam receitas tradicionais.
Entre elas encontra-se a tigelada beirã preparada segundo a receita da avó do chefe Mateus Freire, o pudim Abade de Priscos, uma trilogia de chocolate e o “Doce da Casa”, composto por camadas de compota de morango, bolacha de café e creme de natas.





Também há tradição dentro do copo
A valorização da gastronomia portuguesa estende-se às bebidas.
No bar recuperam-se algumas referências praticamente desaparecidas das antigas tascas portuguesas, como o traçadinho, feito com vinho branco e gasosa, ou o tango, mistura de cerveja com groselha. Não falta igualmente o tradicional café com cheirinho para terminar a refeição.
Durante a Happy Hour, entre as 16h00 e as 18h30, o destaque vai para propostas como o Porto Tónico ou as sangrias de vinho branco e tinto, enquanto a carta de vinhos privilegia produtores nacionais, sobretudo da região do Douro.
Música exclusivamente portuguesa
No Intenso, a identidade portuguesa não se limita à cozinha.
A decoração integra dezenas de ilustrações inspiradas em costumes, expressões e símbolos nacionais, enquanto a música acompanha o conceito do restaurante: ao longo do dia apenas se ouvem artistas portugueses, independentemente do género musical, do fado ao rock.
O espaço conta ainda com os néones “Intenso” e “Tem de Ser”, que se tornaram um dos elementos mais fotografados por quem visita o restaurante.
O fim de semana traz novidades
Ao sábado, o restaurante aposta num churrasco servido à descrição. Já aos domingos de verão, o tradicional cozido à portuguesa dá lugar a uma sardinhada acompanhada por batata cozida e salada de pimentos.
Durante a semana existe ainda um menu de almoço diário, disponível inclusive aos fins de semana, composto por couvert, prato principal, sobremesa, bebida e café.


A assinatura do chefe Mateus Freire
Natural do Tortosendo, no concelho da Covilhã, Mateus Freire fez formação em hotelaria nas escolas do Fundão, Santarém e Óbidos, tendo passado por cozinhas como a Fortaleza do Guincho e o Faz Frio, em Lisboa. É também professor na Escola de Comércio de Lisboa desde 2020.
No Intenso, assume uma cozinha que procura preservar o receituário português, recorrendo aos produtos nacionais e às memórias gastronómicas da Beira Baixa, região onde nasceu e à qual continua ligado.
Mais do que reinterpretar a cozinha portuguesa, o objetivo passa por mantê-la presente numa cidade onde as influências internacionais são cada vez mais visíveis. É essa identidade que acaba por distinguir o Intenso, um restaurante que faz da tradição o seu principal ingrediente.
Morada: Rua da Boavista, 86-90, 1200-067 Lisboa.


