Podemos imaginar muitas coisas sobre o dia de amanhã. Certezas, porém, parece
existir apenas uma – aquela de que ninguém gosta de falar e que parece inevitável
para todos os seres, aquela que desejamos, caso vivamos uma vida feliz, que se
concretize o mais tarde possível.
Muitos são os que arriscam prever o futuro, levantar hipóteses, antecipar caminhos,
tecnologias, comportamentos.
Do meu ponto de vista, do futuro apenas conseguimos perceber breves vislumbres. E
para isso, é preciso que a cortina do presente faça o favor de se abrir de par em par
perante nós e, claro, que estejamos dispostos a ver.
O vislumbre do futuro pode estar, por exemplo, nos olhos de uma criança, nas suas
perguntas, nas suas respostas, nos seus sorrisos, risos, amuos e choros.


Há dias, a convite de Paula Martins, Presidente da Junta de Freguesia de Cabrela
(Município de Montemor-o-Novo), visitei «A singular vila de sempre», onde, em tempos
remotos, proliferava a cabra selvagem – daí o nome Cabrela.
Desloquei-me de São Domingos de Rana (concelho de Cascais) para Cabrela ao
volante de um Renault Mégane E-Tech 100% Elétrico (220 cv), que os responsáveis
da Renault me convidaram a experimentar. O automóvel elétrico é o futuro?
Desconheço a resposta. Certo estou de que se trata de uma das boas soluções de
mobilidade do presente.

Em Cabrela, encontrei marcas do passado e um presente que antecipa um futuro
bonito. Prova disso, é a reabertura da escola primária, oito anos depois de ter
encerrado. Visitei a escola, cumprimentei as dez crianças que ali estudam e crescem,
conversei com elas, conheci-lhes os nomes e algumas coisas que gostam de fazer.
Soube também que todas, menos uma que mora mais longe, vão para a escola a pé.
Há dias, disse-me uma das meninas, ouviram histórias contadas pela filha e pela neta
de José Saramago. Todos os meninos da escola de Cabrela gostam de ler. Auguro um
bom futuro para o livro.


Regressei a Lisboa mais rico. À chegada, após 200 quilómetros, o Renault Mégane
100% Elétrico conservava ainda bateria para regressar a Cabrela e voltar para casa e
ainda para mais umas voltinhas. Um vislumbre do futuro.
Sem certezas.



