O ano de 2025 marcou um verdadeiro ponto de viragem para a Polestar em Portugal. Em entrevista ao Check-up e ao Digital Motores, Miguel Pinto, diretor-geral da marca sueca de performance elétrica no nosso país, faz o balanço de um ano que superou as expectativas, impulsionado por uma gama mais completa, por um novo modelo de negócio e por uma rede física mais próxima do cliente.
Ao longo da conversa, abordam-se temas como crescimento sustentado, posicionamento premium, experiência omnicanal e a importância estratégica do pós-venda na fidelização e na construção de uma relação duradoura com os clientes.
2025 foi anunciado como um “ano de viragem” para a Polestar em Portugal. Que fatores foram decisivos para que esse objetivo se concretizasse acima das expectativas iniciais?
2025 foi, de facto, um verdadeiro ponto de viragem para a Polestar em Portugal. Em primeiro lugar, foi o primeiro ano completo com uma gama mais alargada, capaz de responder a diferentes perfis de clientes.
Por outro, a implementação de um novo modelo de negócio, mais ativo e apoiado por uma rede física reforçada, permitiu maior proximidade e conversão comercial. A combinação entre produto forte, execução consistente e parceiros experientes fez com que o desempenho superasse as expectativas iniciais.
A marca cresceu 69% em 2025, num mercado cada vez mais competitivo. Que decisões estratégicas tiveram maior impacto direto neste resultado?
Destacaria três fatores principais, detalhando um pouco a resposta à questão anterior. Primeiro, a mudança para um modelo de venda mais ativo, reforçado pela abertura de novos Polestar Spaces em Lisboa e Faro, que nos permitiu criar maior proximidade ao cliente.

Em segundo lugar, foi o primeiro ano completo a comercializar mais do que um modelo, o que consolidou a presença da marca no mercado. Por último, a renovação contínua da gama, que culminou com a chegada do Polestar 5, elevou o posicionamento da Polestar e reforçou a sua atratividade num contexto concorrencial exigente.
O novo modelo de negócio e o reforço da rede física foram apontados como um dos pilares deste crescimento?
Sem dúvida. A componente digital continua a ser essencial no primeiro contacto com a marca, mas percebemos que o cliente valoriza também bastante a experiência física.
O reforço dos Polestar Spaces permitiu oferecer test drives, acompanhamento personalizado e um conhecimento mais profundo do produto aos nossos clientes. Trata-se de uma verdadeira estratégia omnicanal, que reforça a proximidade e a confiança do cliente ao longo de todo o processo de decisão.
Que balanço faz da parceria com os atuais operadores dos Polestar Spaces no Porto, em Lisboa e em Faro?
O balanço é extremamente positivo. Trabalhamos com parceiros experientes e bem implantados localmente: à Triauto, no Porto, que trabalha connosco desde 2023, juntaram-se Santogal, em Lisboa, e Pontautos, em Faro, que começaram em 2025 connosco.
Cada um trouxe competências específicas e um profundo conhecimento dos seus mercados regionais. Em conjunto, contribuíram, de forma decisiva, para consolidar a marca de norte a sul e para elevar o nível da experiência Polestar em Portugal.
O crescimento da Polestar em Portugal tem sido sustentado e consistente. Que indicadores internos lhe dão maior confiança na solidez deste percurso?
Há vários indicadores claros. Este foi o terceiro ano consecutivo de crescimento e o primeiro em que superámos as 500 unidades vendidas, aproximando-nos, rapidamente, de um parque circulante de 1.500 automóveis no país.
“A componente digital continua a ser essencial no primeiro contacto com a marca, mas percebemos que o cliente valoriza também bastante a experiência física”
Além disso, vemos uma diversificação crescente da base de clientes, com forte adesão tanto do canal empresarial como de clientes particulares, o que mostra que somos uma marca cada vez mais transversal.
A abertura de dois novos Polestar Spaces em 2025 reforça a proximidade com o cliente. Como avalia o papel da experiência física num modelo de marca fortemente digital?
A experiência física é um complemento essencial ao digital. O digital é fundamental para despertar o interesse, mas é no espaço físico que o cliente cria uma ligação emocional com o produto e com a marca.
Os Polestar Spaces são espaços de experiência, não apenas pontos de venda, e têm um papel determinante na construção de confiança e na decisão final de compra.
Num mercado de elétricos cada vez mais racionalizado pelo preço, como consegue a Polestar defender a sua proposta de valor sem comprometer a identidade da marca?
A Polestar não compete apenas por preço. Defendemos uma proposta de valor clara, assente em três pilares: design, performance e sustentabilidade. Aliada a isso, existe uma coerência estratégica muito forte — somos uma marca 100% elétrica e não abdicamos desse compromisso. Essa clareza ajuda os clientes a perceber exatamente o que a Polestar representa e por que razão somos diferentes.
O Polestar 4 tornou-se no modelo mais vendido da marca em Portugal. Que leitura faz da aceitação deste modelo por parte de clientes particulares e empresas?
O Polestar 4 respondeu, de forma muito eficaz, às expectativas do mercado. Combina design distintivo, performance elevada e uma autonomia muito competitiva, que chega aos 620 km (WLTP).

Tornou-se o nosso best-seller tanto junto de empresas como de clientes particulares, o que demonstra a sua versatilidade e o equilíbrio entre racionalidade e emoção.
A chegada do Polestar 5 parece ter elevado a perceção da marca. Até que ponto este modelo funciona também como um “embaixador” tecnológico e emocional da Polestar?
O Polestar 5 tem um forte efeito aspiracional. Mesmo antes da sua chegada às estradas, contribuiu para elevar o posicionamento e a perceção da marca.
Funciona como um verdadeiro embaixador tecnológico e emocional, mostrando até onde a Polestar consegue ir em termos de performance, engenharia e design, beneficiando toda a gama. É um modelo que mostra bem o que é a Polestar, colocando a versão de produção muito fiel aos esboços de design iniciais.
A renovação contínua da gama, através dos MY26, mostra uma aposta clara na evolução do produto. Como é que esta dinâmica contribui para a fidelização dos clientes?
A evolução contínua transmite confiança. Mostra que a Polestar não lança produtos estanques, mas em constante aperfeiçoamento. Isso valoriza o investimento do cliente, reforça a perceção de qualidade e incentiva a fidelidade na marca.
Num contexto de crescimento da base de clientes, que importância assume o pós-venda na estratégia da Polestar em Portugal?
O pós-venda é absolutamente crucial. À medida que o parque automóvel cresce, torna-se essencial garantir que os clientes se sintam acompanhados ao longo de todo o ciclo de vida do veículo. Uma experiência de pós-venda sólida e consistente é determinante para a lealdade e recomendação da Polestar.
Como está estruturada a rede de assistência e serviços pós-venda para acompanhar esta expansão?
A rede de assistência acompanha a estrutura da rede de parceiros, garantindo cobertura de norte a sul do país e ilhas. Trabalhamos com uma rede de 28 pontos de assistência do nosso parceiro Volvo.
“O pós-venda é absolutamente crucial. À medida que o parque automóvel cresce, torna-se essencial garantir que os clientes se sintam acompanhados ao longo de todo o ciclo de vida do veículo”
Trata-se de uma rede consolidada e experiente com elevados padrões de qualidade, que assegura que a experiência Polestar é consistente, independentemente da localização do cliente.
A experiência premium não termina na entrega do automóvel. Que papel têm o pós-venda e os serviços digitais na relação de longo prazo com o cliente?
Têm um papel decisivo. O pós-venda e os serviços digitais permitem manter uma relação contínua com o cliente, oferecendo conveniência, atualizações e acompanhamento. É esta combinação que sustenta a experiência premium e fortalece a ligação do cliente à marca a longo prazo.

A Polestar mantém-se firme na eletrificação total. Essa coerência estratégica é, hoje, uma vantagem competitiva?
Sem dúvida. Num momento em que algumas marcas recuam ou hesitam, a Polestar mantém uma posição coerente e transparente. Somos a primeira (e única) marca europeia exclusivamente elétrica. Essa clareza estratégica tornou-se num fator de diferenciação e de confiança para muitos clientes.
Para 2026, a marca aponta a um crescimento de cerca de 20%. Que desafios antevê para atingir essa meta?
O principal desafio será manter o ritmo num mercado em ajustamento, marcado por alguma incerteza regulatória e por uma concorrência crescente. Ainda assim, entramos em 2026 com uma rede fortalecida, parceiros experientes e novidades de produto, o que nos dá confiança para atingir essa meta de forma sustentada.
Olhando para o percurso recente, em que momento sentiu que a Polestar deixou de ser uma marca emergente para se afirmar como referência no mercado nacional?
Diria que no momento em que conseguimos conjugar três fatores determinantes: um volume de vendas em crescimento sustentado, a consolidação de uma rede de parceiros de norte a sul do país, incluindo as ilhas, e um portefólio de produtos extraordinariamente competitivo.
Hoje, a Polestar é, efetivamente, a única marca automóvel premium europeia 100% elétrica a operar a nível global, com uma presença já plenamente consolidada também em Portugal.
Para contextualizar esta evolução, vemos, por exemplo, que vendemos, em 2025, na Europa, mais automóveis 100% elétricos do que a Porsche, um fabricante ímpar, com quase 100 anos de história.
Entrevista: Bruno Castanheira e Jorge Flores – Check Up Media
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