Ao volante do BMW iX3 50 xDrive, percorremos trilhos e estradas da região de Leiria, onde as marcas da depressão Kristin continuam visíveis. A experiência de condução fora de estrada terminou com a apresentação da nova geração do BMW X5.
Uma aventura com outro significado
O BMW Explorer regressou à estrada nos dias 10 e 11 de outubro, desta vez com a região de Leiria como cenário. Ao volante de um BMW iX3 50 xDrive, participei numa experiência que combinou percursos fora de estrada, caminhos florestais e estradas secundárias, num itinerário em que cerca de 75% do trajeto foi realizado longe do asfalto.
A iniciativa decorreu a partir do Hotel Monte Real e teve um significado particular. A escolha de Leiria não se deveu apenas às características naturais do território para a condução fora de estrada. A região foi profundamente afetada pelos fenómenos meteorológicos extremos do inverno passado e o rasto de destruição continuava bem visível em vários pontos por onde passámos.
Árvores derrubadas, vegetação destruída e zonas florestais profundamente alteradas faziam parte da paisagem. Em alguns troços, a dimensão dos estragos ajudava a perceber a violência da depressão Kristin e o trabalho que ainda será necessário para recuperar uma região onde o património natural tem um peso importante na identidade local.



A BMW enquadrou o Explorer numa estratégia de proximidade e apoio às comunidades afetadas, que inclui outras iniciativas de recuperação de habitações e apoio a entidades locais. Mais do que uma simples escolha de percurso, a realização do evento procurou chamar a atenção para um território que continua a enfrentar as consequências do temporal.
De Vieira de Leiria a São Pedro de Moel
O percurso levou-nos por estradas e caminhos da região, com passagens pela zona de Vieira de Leiria, por São Pedro de Moel e pelo território florestal associado ao Pinhal de Leiria. A alternância entre estradas pavimentadas, terra batida e trilhos tornou a experiência particularmente interessante, não apenas pelas dificuldades de condução, mas também pelo contraste entre a beleza natural da região e as marcas deixadas pela intempérie.





Nos caminhos mais estreitos, a atenção tinha de estar permanentemente concentrada no piso, nas irregularidades e na forma como o terreno evoluía com zonas com bastante areia. Noutros troços, o desafio passava pela escolha da trajetória e pela gestão da velocidade, evitando movimentos bruscos que pudessem comprometer a estabilidade do automóvel e eventuais ‘atascanços’ em zonas com mais lama.
O BMW Explorer não é uma competição nem um exercício de condução desportiva. É, sobretudo, uma oportunidade para perceber como os modelos da família X se comportam quando deixam o ambiente habitual da estrada e enfrentam condições menos previsíveis. A experiência ganha valor quando permite descobrir as capacidades do automóvel sem esquecer as características e as limitações do terreno.
E foi precisamente aí que o BMW iX3 se revelou uma escolha interessante.





BMW iX3: o prazer de condução não fica no asfalto
No primeiro ensaio ao novo BMW iX3 50 xDrive, realizado entre Sintra, o Cabo da Roca e Lisboa, que publicámos aqui no Digital Motores, a atenção esteve sobretudo concentrada na autonomia, na eficiência energética, na tecnologia e no comportamento dinâmico em estrada. Em Leiria, o contexto foi diferente. O mesmo automóvel teve de lidar com pisos irregulares e caminhos que exigiam uma abordagem mais cuidadosa.
O iX3 que conduzi no Explorer é o primeiro modelo da nova geração Neue Klasse, uma arquitetura desenvolvida de raiz para automóveis elétricos. Na versão 50 xDrive, os dois motores elétricos disponibilizam 469 CV e 645 Nm de binário, com tração integral. A aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,9 segundos demonstra a capacidade de resposta do conjunto, mas foi a forma como a potência é gerida que mais interessou neste percurso.
A entrega imediata de binário exige alguma sensibilidade sobre pisos de aderência variável. Ainda assim, a resposta dos motores e a gestão eletrónica da tração permitem dosear a força de forma progressiva, desde que o condutor adapte a velocidade às condições do terreno. A tração integral é uma vantagem evidente quando o piso se torna mais exigente, embora não elimine as limitações impostas pelos pneus mais vocacionados para o asfalto ou pelas condições de aderência.
Um dos aspetos que mais me surpreendeu foi o comportamento dinâmico do iX3. Mesmo sendo um SUV elétrico de dimensões generosas, o modelo mostrou-se equilibrado e previsível, com uma direção precisa. Nas mudanças de direção, a resposta foi consistente, sem movimentos excessivos que comprometessem a confiança ao volante.
É importante referir, novamente, que o nosso BMW iX3 encontrava-se equipado com pneus de estrada, e não com pneus específicos para utilização fora de estrada. Esta característica torna ainda mais relevante a forma como o iX3 ultrapassou os desafios do percurso.


A experiência confirmou, assim, uma das conclusões do ensaio realizado em Sintra: a nova geração elétrica da BMW não procura apenas oferecer prestações elevadas e uma autonomia competitiva. A marca continua a dar prioridade à ligação entre o automóvel e o condutor, mesmo quando o cenário muda e a estrada deixa de ter as condições ideais.
Neue Klasse: autonomia e preços em Portugal
A gama portuguesa do novo BMW iX3 passou a contar com duas motorizações, depois da introdução da versão 40, que se junta ao 50 xDrive que marcou a estreia do modelo. Os preços de referência anunciados para Portugal permitem perceber melhor o posicionamento de cada variante.
O BMW iX3 50 xDrive que conduzimos no BMW Explorer combina dois motores elétricos, com 469 CV, 645 Nm e tração integral. A bateria tem 108,7 kWh de capacidade útil e a autonomia homologada pode chegar aos 805 quilómetros em ciclo WLTP, dependendo da configuração. O preço anunciado para Portugal começa nos 72.890 euros.
Já o BMW iX3 40 recorre a um motor elétrico traseiro de 320 CV e 500 Nm, associado a uma bateria com 82,6 kWh úteis. A autonomia máxima anunciada é de 635 quilómetros WLTP, com aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,9 segundos. O preço de referência é de 64.200 euros.
Ambas as versões recorrem à tecnologia BMW eDrive de sexta geração, a uma arquitetura elétrica de 800 volts e ao sistema de gestão dinâmica Heart of Joy. A versão 50 xDrive anuncia uma potência máxima de carregamento em corrente contínua de até 400 kW, enquanto o iX3 40 pode atingir 300 kW. Em condições adequadas, a BMW indica que ambas as versões podem recuperar uma parte significativa da carga em cerca de 21 minutos, entre 10% e 80%.
Estes valores são referências de homologação e não garantem a mesma autonomia em todas as utilizações. O ritmo de condução, a temperatura, o relevo, o equipamento e o tipo de percurso influenciam os consumos e a distância efetivamente percorrida.
No ensaio anterior, a eficiência do iX3 50 xDrive tinha sido um dos pontos fortes, com um consumo médio de 12,4 kWh/100 km na condução realizada entre Sintra, o Cabo da Roca e Lisboa. Esse resultado corresponde àquela utilização específica e não deve ser extrapolado para os trilhos de Leiria, onde as condições de circulação foram diferentes.




O BMW X5 encerrou o Explorer com uma nova geração
O último dia do BMW Explorer ficou também marcado pela apresentação da nova geração do BMW X5, um dos modelos mais importantes da família X. A quinta geração assinala uma mudança significativa na estratégia da marca, ao reunir cinco tipos de motorização na mesma gama, incluindo, pela primeira vez, uma variante totalmente elétrica.
A oferta contempla versões a gasolina e a gasóleo com tecnologia híbrida ligeira de 48 volts, os híbridos plug-in X5 50e xDrive e X5 M60e xDrive, e o elétrico iX5 60 xDrive. Mais tarde, a partir de 2028, deverá juntar-se uma versão a hidrogénio, designada iX5 Hydrogen.
Em Portugal, a comercialização começa com o BMW X5 40d xDrive, com preço anunciado de 115.000 euros e chegada prevista para o final de novembro de 2026. A versão a gasolina X5 40 xDrive tem um preço de referência de 110.500 euros. As duas motorizações estão disponíveis para configuração e encomenda, enquanto as encomendas das versões híbridas plug-in e elétricas arrancaram a 8 de outubro, com lançamentos previstos para a primavera de 2027.
Entre as variantes eletrificadas, o X5 50e xDrive anuncia uma potência combinada de 490 CV e uma autonomia elétrica provisória de até 102 quilómetros em ciclo WLTP. O X5 M60e xDrive, de orientação mais desportiva, anuncia uma autonomia elétrica provisória de até 99 quilómetros. Já o iX5 60 xDrive será a proposta totalmente elétrica, com uma autonomia prevista de até 850 quilómetros WLTP, segundo os valores anunciados pela BMW.
O novo X5 incorpora ainda elementos tecnológicos da Neue Klasse, incluindo o sistema BMW Panoramic iDrive e o sistema operativo BMW Operating System X. O design foi revisto, como por exemplo a integração dos manipulos da abertura exterior das portas, assim como o interior, que mantém a aposta no conforto e na digitalização.
BMW Explorer decorreu a partir do Hotel Monte Real
Situado na tranquila região de Monte Real, o Hotel Monte Real é uma escolha de referência para quem procura descanso, bem-estar e hospitalidade genuína. Rodeado de natureza e a poucos minutos das praias da Costa de Prata.
O hotel está pensado para garantir uma estadia agradável, quer em lazer, quer em trabalho. Entre as comodidades disponíveis contam-se piscina, spa e zona de bem-estar, wi-fi gratuito, estacionamento e salas para eventos e reuniões. A região é também conhecida pelas suas termas, o que faz do hotel um ponto de partida ideal para quem quer relaxar e cuidar de si.
Na gastronomia, o restaurante do hotel presta homenagem aos sabores da região, com pratos tradicionais portugueses preparados com produtos locais e frescos. Do peixe e marisco do litoral às carnes e aos doces conventuais.





O Explorer terminou, assim, com uma antevisão do futuro da família X. Mas, na região de Leiria, a memória mais persistente destes dois dias não se resume aos motores, à autonomia ou à tecnologia. Entre Vieira de Leiria, São Pedro de Moel e o Pinhal de Leiria, a experiência de condução ficou inevitavelmente ligada a uma paisagem ainda marcada pelo temporal e à capacidade de recuperação de uma região que continua a reconstruir-se.






